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Como fazer uma revisão integrativa passo a passo

A revisão integrativa é o método de revisão que aceita, na mesma síntese, estudos de desenhos diferentes: experimentais, não experimentais e, quando a pergunta pede, teóricos. Ela parte de uma pergunta norteadora, segue um percurso explícito em seis etapas e classifica cada estudo pelo nível de evidência do seu desenho. É o caminho quando o que se sabe sobre um tema está espalhado em pesquisas que não se comparam entre si.

Quando escolher revisão integrativa

A escolha depende da pergunta e do que a literatura oferece. Se você quer medir o efeito de uma intervenção e há ensaios comparáveis, o método é a revisão sistemática, com meta-análise quando os dados permitem. Se você ainda não sabe o que existe sobre o tema, é a revisão de escopo. A revisão integrativa fica no meio: a pergunta é definida, mas a resposta está em estudos de naturezas diferentes, que precisam ser lidos juntos.

Integrativa, sistemática e de escopo: o que muda

As três pedem busca reprodutível e critérios declarados. O que as separa é o tipo de pergunta, o que entra na síntese e como cada estudo é avaliado.

Comparação entre a revisão integrativa, a revisão sistemática e a revisão de escopo
Revisão integrativaRevisão sistemáticaRevisão de escopo
Perguntaum fenômeno cuja resposta está em desenhos diferenteso efeito de uma intervenção ou exposiçãoo que existe sobre um tema
Estudos incluídosexperimentais, não experimentais e, se a pergunta pede, teóricosos desenhos definidos no protocoloqualquer tipo de fonte
Avaliação de cada estudonível de evidência pelo desenho, e qualidade metodológicarisco de viésopcional
Sínteseintegradora, por categorias, com quadro-síntesenarrativa ou meta-análisemapeamento descritivo
Meta-análiseraramente cabequando os estudos são comparáveisnão se aplica
Diretriz de relatoPRISMA 2020, adaptadoPRISMA 2020PRISMA-ScR
Registro do protocoloOSFPROSPERO ou OSFOSF
Referência do métodoWhittemore e Knafl (2005); Mendes, Silveira e Galvão (2008)Manual CochraneArksey e O'Malley (2005); JBI

A meta-análise quase nunca cabe numa revisão integrativa, e isso não é defeito: somar numa única medida de efeito estudos com desenhos, participantes e desfechos diferentes produziria um número sem sentido. Quando os estudos incluídos são ensaios comparáveis e a pergunta é de efeito, o método adequado é a revisão sistemática.

As seis etapas, passo a passo

A sistematização mais citada no Brasil é a de Mendes, Silveira e Galvão (2008), em seis etapas. Ela desdobra as cinco etapas de Whittemore e Knafl (2005), a referência internacional do método.

  1. Identifique o tema e formule a pergunta norteadora. A pergunta delimita tudo o que vem depois. Muitos autores a estruturam em PICO, ou em PICo quando o fenômeno é qualitativo, e ela precisa caber em uma frase.
  2. Defina os critérios e faça a busca. Critérios de inclusão e exclusão declarados, várias bases e a estratégia registrada string por string, com a data. A seleção, de preferência por dois revisores independentes, registra o motivo de cada exclusão e alimenta o fluxograma.
  3. Defina o que extrair e categorize os estudos. Um instrumento único para todos: autoria, ano, país, desenho, amostra, objetivo, principais resultados e nível de evidência. É ele que alimenta o quadro-síntese.
  4. Avalie os estudos incluídos. Cada estudo recebe o nível de evidência do seu desenho e, quando o protocolo prevê, uma avaliação da qualidade metodológica com instrumento adequado ao desenho.
  5. Interprete os resultados. Compare os achados, agrupe-os em categorias, aponte convergências, contradições e lacunas, e discuta tudo à luz da literatura.
  6. Apresente a síntese do conhecimento. O quadro-síntese, a discussão por categorias, as implicações para a prática e para a pesquisa e as limitações da própria revisão.

Os níveis de evidência de Melnyk e Fineout-Overholt

Uma das classificações mais usadas nas revisões integrativas é a hierarquia de Melnyk e Fineout-Overholt, em sete níveis. O nível vem do desenho do estudo, e não da impressão do revisor sobre o artigo: por isso ele precisa ser atribuído por uma regra explícita, aplicada igualmente a todos os estudos.

Os sete níveis de evidência de Melnyk e Fineout-Overholt
NívelDesenho do estudo
IRevisão sistemática ou meta-análise de ensaios clínicos randomizados controlados
IIEnsaio clínico randomizado controlado bem delineado
IIIEnsaio clínico controlado sem randomização
IVEstudos de coorte e de caso-controle bem delineados
VRevisão sistemática de estudos descritivos e qualitativos
VIEstudo descritivo ou qualitativo único
VIIOpinião de autoridades ou relatório de comitês de especialistas

Nível alto não é sinônimo de estudo bom, nem nível baixo de estudo ruim. O nível diz que tipo de pergunta o desenho consegue responder; a qualidade de cada estudo é outra avaliação, que também precisa estar descrita no método.

O erro que mais aparece em parecer: uma sequência de resumos, um estudo por parágrafo, apresentada como resultado. A revisão integrativa exige integração: os achados são comparados, agrupados em categorias e discutidos em conjunto. Sem essa síntese, o texto é um fichamento, não uma revisão.

Relato e registro

A revisão integrativa não tem diretriz de relato própria. O caminho mais aceito é seguir o PRISMA 2020, com o fluxograma e o checklist, declarar como não aplicáveis, com a justificativa, os itens que pressupõem medida de efeito e viés de publicação, e discutir a certeza da evidência a partir do nível de evidência dos estudos.

O protocolo, escrito antes da seleção, pode ser registrado no OSF, em osf.io/registries. O PROSPERO registra apenas revisões sistemáticas com desfecho de saúde e, em geral, não aceita outros tipos de revisão.

Antes de escrever, confira nas instruções aos autores se o periódico aceita a categoria. A revisão integrativa é muito publicada na enfermagem e na educação, mas há periódicos que só recebem revisão sistemática ou de escopo.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre revisão integrativa e revisão sistemática?

A revisão sistemática responde a uma pergunta de efeito, com os desenhos de estudo definidos no protocolo, avaliação do risco de viés e, quando os estudos são comparáveis, meta-análise. A revisão integrativa aceita desenhos diferentes na mesma síntese, experimentais e não experimentais, e integra os achados para compreender um fenômeno. Por isso ela raramente comporta meta-análise.

Quais são as etapas da revisão integrativa?

Na sistematização de Mendes, Silveira e Galvão (2008), são seis: identificar o tema e formular a pergunta norteadora; definir os critérios e fazer a busca; definir as informações a extrair e categorizar os estudos; avaliar os estudos incluídos; interpretar os resultados; e apresentar a síntese do conhecimento. Ela desdobra as cinco etapas de Whittemore e Knafl (2005).

Revisão integrativa usa PRISMA?

A revisão integrativa não tem diretriz de relato própria, e o caminho mais aceito é seguir o PRISMA 2020, com fluxograma e checklist. Os itens que pressupõem medida de efeito e viés de publicação são declarados como não aplicáveis, com a justificativa.

Onde registrar o protocolo de uma revisão integrativa?

No OSF, em osf.io/registries, antes da seleção dos estudos. O PROSPERO registra apenas revisões sistemáticas com desfecho de saúde e, em geral, não aceita outros tipos de revisão.

O SistematIA faz revisão integrativa?

Em breve. Hoje o SistematIA conduz a revisão sistemática, com meta-análise conferível no R, e a revisão de escopo. A revisão integrativa está em preparação, com o nível de evidência atribuído pelo desenho de cada estudo e o relato pelo PRISMA 2020.

Revisão integrativa no SistematIA Em breve

O SistematIA já conduz a revisão sistemática, com meta-análise conferível no R, e a revisão de escopo, da pergunta ao manuscrito. A revisão integrativa está em preparação, no mesmo padrão: pergunta norteadora, busca real nas bases, seleção com o motivo de cada exclusão, o nível de evidência atribuído pelo desenho de cada estudo, o quadro-síntese, o PRISMA 2020 com os itens não aplicáveis declarados e o manuscrito redigido.

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